“Braços abertos sobre a Guanabara...” Um dia ensaiamos este canto em uma madrugada qualquer de BH, em outro, abrimos nossos próprios braços pela Guanabara, Lapa, Sta Tereza, Copacabana, Ipanema, e Botafogo.
Braços foram abertos nos bares cheios de gente diferente, terra de mais liberdade de escolha, terra de artistas que conhecemos, um tal de Big, sim, músico bem surreal. Inicialmente para gastar menos dinheiro, pegamos o bonde da Lapa de 60 centavos, depois, só queríamos andar pendurados por cima dos arcos cantando sob a regência do cobrador empolgado.
O primeiro dia de praia foi lindo, meu ardor foi menos lindo, eu e Fernadim levamos um baile do sol. Andávamos a pé para evitar maiores gastos, eles tinham um destino mais legal, a noite. Foram três dias que praticamente viraram seis, pra quê dormir né, é melhor assistir o sol raiar.
Eram cinco da manhã e a noite ainda fervia nas ruas do Rio, não tinha jeito, era coisa convidativa. O carro de nossa amigona Gi estragou no primeiro dia, de maneira que foi comum a cena de colocarmos seis pessoas num táxi além do motorista. Risos, muitos risos.
Foram várias pequenas tragédias. O corcovado nublado, “não, nós temos que ir”, resultado, vimos o pé do Cristo Redentor. Coisa cara ver o pé do Cristo, o resto eram nuvens. Pra subir, um combão de um ser amizade que fizemos por lá, pra descer, um monza tubarão de um mafioso folgado, vixe que coisa cara. Desencontramos da nossa amiga Gi, então, fomos bebê, né???? Eita Sta Tereza boa sô.
Falando em bebê... haha.... ai bebê.
Fomos na festa do Big. O Big era um hippie que virou amizade. Chega a tropa na festa, e “cadê o Big???”. “Big, que Big??? Festa estranha com gente esquisita taxista virou amigo, fugimos rapidim da festa, ele desligou o taxímetro e ele foi pra gandaia com a gente até tardão. Ele dizia que ninguém consegue acompanhar essa turma não, mas que somos porretas, nota mil.
E vira noite, o povo ainda vai para a praia, Quequel e Aninha pedem arrego e vão dormir. Apagamos até 15h, próximo destino, aterro do Flamengo para um show na praia. O povo foi direto para o show, gente bonita até mandar parar. Showzin humilde em comemoração dos 58 anos da declaração oficial dos direitos humanos. Humilde assim... presta atenção: Afroreggae, Olodum, Sandra de Sá, Gabriel o Pensador, Fernanda Abreu, Elza Soares, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Mv Bill.... e esqueci o resto. Seis horas de show, energético na cabeça e pula muleque.
Pra acordar, que dificuldade, hora de ir embora... o português dono do Hotel em que ficamos fez uma conta bem inteligente para nós três ocupantes do quarto, preste atenção para não se perder: 75 vezes 3, igual 225, dividido por três, igual a 75. “Cada um de vocês tem que dar 75 reais” (com sotaque).
Dormindo no ônibus de volta, engarrafamento pra entrar na capital mineira, de volta ao trabalho, aos telefonemas, aff.... Somos mineiros de novo. Mas ainda pensando em montar uma bela república no Rio, sem desentendimentos, apenas com alegria e maturidade de superar as diferenças desta bela turma carinhosamente chamada de Corleones. 
Escrito por Quel às 17h54
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